vida...ou ilusão
Também me quis mostrar que o amor existia e que era belo. Que unia os povos de todo o Mundo e que tinha uma força avassaladora, a força suprema. A vida mostrou-me que essa força era a geradora de tudo. Era a geradora da própria vida. O inicio e o fim de tudo.
E como a vida é uma realidade concreta, mostrou-me também que nem toda a gente tem direito ao mesmo amor e à mesma quantidade dele. Sim, porque o amor na sociedade pode ser medido "muito, pouco", através de verbos "gostar, adorar, amar, venerar". Existem as paixões do nada, do acaso (que não duram mais que alguns meses); existem os amores platónicos; existem os amores eternos… os amores impossíveis. A impossibilidade é uma outra força – não oposta ao amor, já que caminha com ele lado a lado.
A desigualdade faz da vida uma injustiça. Tal como a força geradora dela.
A vida dos que me rodeiam é assim – repleta de amores e de perfeição (pelo menos máscara). São aparentemente felizes, realizados. Vidas em que o sonho ultrapassa as fronteiras da alma. Muitas vezes nem é preciso sonhar-se, as coisas simplesmente acontecem. A vida é como um rio: as vezes navega pleno ao sabor da corrente, outras vezes tem muitos obstáculos que não o deixam avançar. A fronteira entre as vidas doces e as vidas amargas.
A vida também me quis mostrar que tudo me pode ser tirado, que os sonhos vão e vêm e nada fazem e nenhuma influência têm na nossa vida. Ou melhor têm…fazem-nos tristes pela impossibilidade de não os poder realizar e concretizar. Ideias e desejos perdidos na mente de quem sonha e de quem deseja. Na minha cabeça de eterna sonhadora. Utopias… estúpidas! Sonhadas e idealizadas por mim.
Pensamentos sem fundamento que me são impostos pela vida. Afinal é ela que nos dá, também, a possibilidade de sonhar. Afinal qual será de facto o intuito dela? Fazer saber que existem impossíveis, e como me disse uma vez alguém "existem coisas contra as quais não vale a pena lutar".
A maior asneira que posso fazer é pensar que sou dona da minha própria vida, que aquilo que tenho e desejo é fruto inteiramente meu. Não é. A vida mantém-me entre os seus dedos. Hirta e sempre a mostrar-me que se quiser me deixa cair. Brinca com a minha existência, balança-me entre os seus dedos. Ás vezes eleva-me mas outras vezes coloca-me bem juntinho ao chão.
Mas como ela é gerada pelo amor, gosta dos altos e baixos, gosta de me proporcionar instabilidade. E muitas vezes para me mostrar que afinal não estou assim tão denegrida volta a fazer-me subir "na escada da vida" – que o próprio amor construiu – para que eu fique cheia de sonhos. Muitas vezes tem prazer em proporcionar-me rasgos de felicidade. E de um momento para o outro voltar a tirar, e obrigar a descer – muitas vezes a cair por essa escada interminável com degraus de lâminas. e faz me sofrer como se cada dor fosse uma faca cravada no meu peito.
Como a vida e a sua força geradora podem ser cruéis. Como a ironia está tão longe e ao mesmo tempo tão presente. É a simbiose perfeita. A esses sonhos que ela alimentou. Destrói-os, e faz-me andar de mão em mão para sentir a sensação de queda – mais uma vez.
Então a vida toma a forma de um baloiço, de uma balança. Que estabiliza algumas vezes no final da escada. Para me mostrar ,novamente, que eu podia subir, que todos meus os sonhos se podiam realizar, não fosse a vida, o amor, e a ironia uma constante.
O amor dos meus pais impôs-me a vida, a vida impõe-me de novo um amor, que ironicamente parece que não me ama. A vida é uma imposição estúpida e aparentemente estou farta de viver.











































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