Hoje Sinto

Hoje fui invadida por um sentimento nostálgico e ao mesmo tempo doloroso. Sinto-me angustiada, Sinto-me perdida, numa encruzilhada sem destino e sem rumo a seguir.
A minha rotina tem se baseado em Acordar, tomar banho, vestir-me, meter os pés num par de Tenis de gosto duvidoso e sair de casa, levar com o transito infernal da manha, e perder me por entre rosto conhecidos. Perder-me entre Sibels e CPM, 2ª vias e Facturação. E quando desperto já me encontro a caminho de casa novamente…entre tv, tacho e farmville o tempo passa novamente e dou por mim a fechar os olhos a um novo despertar.
Enquanto começo uma nova etapa da minha vida, muitas são as portas que se tem fechado.
O meu mundo está a desabar aos poucos e ainda não percebi por onde começou a ruir. Ainda não encontrei um porquê que me satisfaça e me dê paz de espírito.
Neste momento não o tenho nem sei para onde foi. Quando? Como? Fiquei assim suspensa no tempo... Como se um dia tivesse acordado e não soubesse mais quem era… Onde esta a minha identidade e a minha força. Sinto-me perdida no vazio de mim. Sinto – me uma estranha de mim própria. Onde está o meu sorriso, o meu sentido de humor, a minha visão positiva de tudo o que me acontece, o “eu” lutador que atinge tudo aquilo a que se propõe? Contínuo sem saber quem é este ser que usurpou o meu corpo e a minha mente, sem me deixar outra opção senão querer fazê-lo desaparecer para sempre... Mas para sempre é um pensar idealista. De repente fiquei sem objectivos na vida e o meu mundinho de merda cor-de-rosa, onde tanta vez me refugiei, há muito desapareceu de vez... Fodeu-se!
Pois é !!! E o que sinto, escondo ,negligencio. Ignoro enquanto ao longo do dia, olho para o Ecrã, um quê de uma melancolia súbita, uma falta que me aperta o estômago, a saudade que me faz escapar por minutos para outras vidas, o fracasso que, de um jeito ou de outro, não vai me abandonar tão rápido.
Enterro bem no fundo do peito, para não parecer assim, tão sentimental, na frente daqueles que de mim não conhecem além do desempenho profissional. Porque nunca o quiseram, nunca se importaram e porque eu tambem estou simplesmente a marimbar para o que pensam ou deixam de pensar.
Sinto-me patética! Pior… sinto que sou uma fraude.
Terei feito algo de errado para este Karma estar a ser tão pesado? Terei cometido algum crime de merda que faça com que eu não tenha tempo, para lembranças, para lamentos. porque há muito a ser feito e muito pouco tempo para fazê-lo, porque a sempre um ou outro individuo que acha que nasci para resolver os problemas dos outros… que passam a vida a ligar me para o telemovel, seja na rua , casa ou trabalho e achem que eu tenho a obrigação de atender.
Como vai ser… se um dia eu não poder atender a porcaria do Telemovel, se eu não poder apanhar a merda de um avião e ir resolver problemas que não são meus.
Como Será se eu um dia deixar simplesmente de estar presente. Como será quando derem conta que simplesmente deixe de querer saber.
Por isso escrevo assim de forma fragmentada, na esperança vã de que alguma coisa deixe de me habitar por dentro, ao invés de transformar-me em ficção. Não sei quem foi besta que disse que se distrair é bom para passar o tempo , mas não é, eu não quero me distrair de quem eu sou.
Sinto que tudo mudou na minha vida e que qualquer opção que tome neste momento será a errada. Para onde quer que me vire encontro mais dúvidas do que respostas. Começo a fartar-me desta sensação.
Questiono-me: Valerá a pena lutar neste momento, em que nada me sabe a felicidade? No fundo eu penso que sim, mas não como agir agora.
By myself (moony)
O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!"
[Florbela Espanca]











































.jpg)
















1 comments:
Por vezes sentimos que nos perdemos, mas o facto é que continuamos ali, no mesmo sitio, aquele refúgio, aquele mesmo canto de sempre que não é desconhecido e deixamos a rotina absorver-nos por algum tempo.
Depois acabas por despertar e ver que esse refúgio não foi assim tão mau, que até te fez ver as coisas com uma clareza intensa e que não te irás meter no próximo avião para resolveres problemas que não são teus antes de resolveres os teus! Começas a ver que se calhar até te fez bem esse canto tão conhecido porque te deu oportunidade de estar só contigo própria, a falar de ti para ti e pensas... Agora tudo vai mudar!
Débora (aka Cindyceltan)
Enviar um comentário
<< Home