A busca do "eu"
Ser filósofo é ser humano, é a conquista, é a busca do Porquê. Desde que existimos como indivíduos, como sociedade ou como grupo, que caminhamos na senda da nossa busca: de onde viemos, quem somos, para onde vamos? Continuaremos, enquanto existirmos, essa eterna busca. No nosso pequeno mundo, na nossa pequena vida que interessará, por ventura, a um punhado pequeno de pessoas que nos rodeiam, também nós, como indivíduos, buscamos o nosso Porquê, a nossa Origem, o nosso Futuro. Todos somos especiais, nem mais nem menos que os outros biliões de pessoas. Mas somos egocêntricos. Achamo-nos mais especiais que a maioria. Bem, de qualquer forma, na quantidade certa, ajuda-nos a viver e a orientar a nossa vida, a sermos seguros e autoconfiantes. É preciso sermos ponderados para que o egoísmo, o egocentrismo e a sede de poder e a soberba não nos ceguem para a vida, para o que é fundamental e verdadeiro.
Novamente a Verdade. Outro ponto da mesma busca eterna. Poderiamos andar em circulos na nossa mente, sempre, indefinidamente. Para nos libertarmos daquilo que é a percepção dos nossos sentidos, daquilo que nos é imediato, é preciso termos algo mais aberto no nosso espírito, no nosso ser. É que nesta vida nem tudo o que parece é, nem tudo aquilo que os nossos sentidos nos dizem é verdade.
A verdade, muitas vezes, é apenas atingida, ou aflorada, quando nos libertamos do físico, do corpo, da "prisão" que é a nossa percepção dos sentidos, do senso comum. Temos de ir mais além, ter capacidade mental para ultrapassar o imediato, o palpável, tudo aquilo que é curto e finito e nos aprisiona numa cela que não se vê, que não se sente nem se cheira nem tão pouco se ouve.
Claro está que aquilo que aqui escrevo já foi antes dito e escrito, talvez mais bem escrito e dito. Contudo, é importante para nós, como indivíduos, pensarmos nisto por nós próprios, é importante para nós, para o nosso universo, para a nossa pequena vida. A apropriação daquilo que nos rodeia e onde nós nos inserimos, a percepção do nosso papel na máquina da vida. Por vezes é duro para nós aquilo que descobrimos do mundo e de nós mesmos. Quem não aguenta descobrir a verdade poderá suicidar-se. Para tal acto é preciso ter uma coragem ao contrário, uma coragem destrutiva, autodestrutiva. E todos nós somos um pouco assim, corajosos, não corajosos e autodestrutivos.
Temos de nos conhecer bem antes de avançarmos para a descoberta da verdade. E quem somos nós senão uma parte dessa verdade, desse mundo interior que nos permitiram ter, que nos fadaram ou malfadaram. Somos filhos de algo, de um acaso ou infortúnio? Somos filhos rebeldes de uma Criação que nos transcende, de uma ordem que nos ultrapassa e que brinca connosco, baralha-nos, contando-nos a nossa história em trechos separados e confusos como um puzzle. Talvez andemos eternamente a construi-lo, colocando peças nos sítios certos ou que nos parecem certos, e a trocá-las indefinidamente quando percebemos que elas não encaixam assim tão bem como pensámos. É um trabalho de uma existência!!











































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